Quando estiver no Paraná, não deixe de visitar Ponta Grossa para ver de perto os incríveis arenitos milenares e os profundos lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha. Eu já contei um pouco da história desse lugar e expliquei como é visitar os arenitos neste post. Agora, eu compartilho contigo como é a visita aos lagos.
As furnas – como são oficialmente chamados esses lagos – são, na verdade, rupturas de canais aquáticos subterrâneos que demoraram milhares de anos para serem formadas até ficarem como hoje podem ser vistas. Essas imensas crateras de formatos circulares têm profundidades superiores a 100 metros, sendo que aproximadamente a metade está coberta pela água que brota do lençol freático e da própria rocha que drena a água das chuvas.
A LENDA DE VILA VELHA
A lenda contada na região a respeito da origem de Vila Velha diz que essa terra foi escolhida pelos indígenas para esconder um tesouro, por eles chamados de itainhareru. Escolhidos a dedo para proteger essa riqueza, os homens que aqui viviam podiam desfrutar de toda a beleza e vida do lugar, mas jamais deveriam se apaixonar por uma mulher, já que havia o temor de que elas poderiam revelar os segredos guardados com tanto cuidado.
A fábula prossegue contando a história de Dhui, que mesmo tendo uma forte queda pelas índias, foi escolhido para comandar a guarda do tesouro. Sabendo da fraqueza do guerreiro, a tribo rival decidiu enviar uma bela índia para roubar-lhe o tesouro. O que os caciques jamais poderiam imaginar é que ambos se apaixonariam depois de compartilharem o mesmo licor de butiás, bebida que faria o guerreiro sucumbir aos encantos de Aracê.
Indignado com o fracasso de seu plano, Tupã teria, então, desencadeado um poderoso terremoto que abalou toda a região fazendo com que os arenitos aparecessem, que o tesouro se tornasse em líquido – o que hoje é a Lagoa Dourada – e que os dois amantes fossem petrificados, juntamente com a taça que continha o licor. Depois dessa desgraça, o lugar passou a ser chamado de Itacueretaba, que na língua indígena, significa cidade extinta de pedras.
Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha
A plataforma por onde podiam caminhar os visitantes.
Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha
O elevador que não funciona mais, na primeira furna.
São ao todo três os  lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha. Na primeira delas foi instalado um elevador que descia 54 metros até o espelho d’água, de forma que os visitantes podiam caminhar sobre uma pequena plataforma, e contemplar essa maravilha da natureza bem de perto. Infelizmente, o elevador não está mais em operação e nós temos que nos contentar em ver parte do lago do alto, nos desviando da vegetação.
A sorte é que nessa mesma furna há um mirante que tem uma vista até legal da cratera. Mas, claro, nada se compara à possibilidade de descer até lá dentro. Seria incrível!
O segundo lago está a uma pequena caminhada daqui. As crateras são bastante semelhantes em sua formação, mas esta é ainda maior e tem um formato mais oval. Seguindo adiante, depois de um pequeno trecho de ônibus, paro novamente para ver o famoso Lago Dourado.
Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha
As gotas de água que escorrem do paredão formam arco-íris quando o sol aparece.
Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha
A segunda furna – ou o que dá pra ver dela.
A origem desta grande porção de água é a mesma dos outros lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha, mas aqui o processo de erosão – que levou milhares de anos – fez com que a lâmina d’água ficasse mais próxima da superfície. No lago vivem algumas espécies de peixes que sobem à correnteza do pequeno riacho que interage com a lagoa.
Apesar de ter o nome de Lago Dourado, os visitantes não podem ver suas águas nessa cor. O fato é que esse fenômeno só acontece no fim da tarde, quando o sol se posiciona de forma que as águas passam a parecer ouro líquido, mas como as visitas acontecem bem antes disso, somos impedidos de ver essa maravilha.
Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha
O Lago Dourado que só fica da cor de outro no fim da tarde.
Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha
Um dos peixes que vivem por aqui.

Planeje sua visita aos lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

Como chegar | O Parque Estadual de Vila Velha fica na cidade de Ponta Grossa, a 80 quilômetros de Curitiba. Para chegar aqui você deve seguir pela BR-317. A entrada para o Parque fica na margem esquerda da pista e há placas identificando o acesso.
De ônibus, partindo de Curitiba, quem faz a viagem é a Princesa dos Campos. Do Terminal de Oficinas, em Ponta Grossa, partem os ônibus da linha Vila Velha que faz o trajeto até o Parque.
Os  lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha ficam a apenas três quilômetros dos arenitos, mas como o acesso é feito por uma estrada que passa fora do Parque. Não é permitido entrar na área dos lagos sem o acompanhamento de guias e, claro, não é permitido nadar nas furnas.
Quando ir | Como fica a uma altitude de 917 metros acima do nível do mar, o clima por aqui é sempre agravável. Mesmo no verão, quando as temperaturas são mais elevadas, caminhar pela trilha é agradável. Os meses mais concorridos são dezembro e janeiro, por causa das férias escolares. Em dias de chuva, o Parque é fechado para visitantes devido ao risco de raios. O parque funciona das 8h30 às 15h30 e não abre nas terças-feiras.
Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha
A guia do Parque dá as primeiras instruções antes da visita.
Quanto custa | Brasileiros pagam R$ 10 para visitar os arenitos. O passeio completo, que inclui a trilha nos arenitos, a visita às furnas e à Lagoa Dourada custa R$ 18. Estrangeiros pagam R$ 15 e R$ 25, respectivamente. Nesses valores estão inclusos o transporte interno e a orientação dos guias do Parque. Idosos, crianças de até seis anos e portadores de necessidades especiais não pagam a entrada.
Para fazer o passeio pelas furnas é preciso seguir até à recepção do Parque para comprar o ingresso. Aqui, você terá que aguardar o ônibus com o guia que lhe conduzirá pelo passeio.
Onde comer | Dentro do Parque há uma lanchonete que vende salgados e lanches rápidos. Ao longo da rodovia também há restaurantes e lanchonetes. Os pratos mais tradicionais dos Campos Gerais, essa região paranaense, têm suas origens na culinária tropeira, holandesa e alemã.
Onde ficar | Em Curitiba, os hotéis mais baratos ficam na região do Centro, que diferente de outras partes do Brasil é movimentado de dia e à noite. Aqui, eu fiquei no Curitiba Lizon Hotel, localizado praticamente em frente à estação rodoferroviária, ideal para quem vai fazer deslocamentos de trem, de carro ou de ônibus. O hotel tem estacionamento, um variado café da manhã e o atendimento é agradável.
Daqui para o Largo da Ordem, o centro histórico da capital, você leva cerca de 20 minutos caminhando. Se preferir, basta atravessar a rua para usar o transporte público. O tubo – ponto de ônibus – fica exatamente em frente ao hotel.
Se quiser ficar em uma das áreas mais nobres da cidade, sua opção deve ser o bairro Batel.
Quem leva | A Special Paraná tem pacotes que incluem o traslado, a entrada no parque e uma visita à comunidade rural menonita Witmarsun, na cidade de Palmeira. A agência faz apenas passeios privativos e é considerada uma das mais tradicionais do Paraná. Durante todo o tempo você será acompanhado por um guia experiente que lhe dará todas as informações necessárias. Esse passeio custa R$ 305, por pessoa.